Chris Reis – ESPECIAL PARA O SITE DO MAG
Fundado em 19 de fevereiro de 1996, o Movimento Amigos do Garantido (MAG) completa três décadas como um dos principais pilares de sustentação do Boi Garantido na capital amazonense. Criado por torcedores apaixonados pelo boi vermelho e branco, o grupo consolidou a presença do Garantido em Manaus, organizou ensaios históricos, quebrou hegemonias e contribuiu financeiramente para o crescimento estrutural da agremiação em Parintins.
São três décadas dedicadas à cultura do Boi-Bumbá de Parintins, especialmente ao fortalecimento do Garantido em Manaus. O MAG surgiu da mobilização de torcedores que decidiram dar identidade e organização ao movimento encarnado na capital do Estado, hasteando com firmeza o pavilhão vermelho e branco fora da ilha.
Atualmente, o Movimento é presidido por Claudia Santos, a terceira mulher a ocupar o cargo, tendo como vice-presidente Ana Lúcia Holanda.
“O MAG completa 30 anos de movimento, resistência e muito amor pelo vermelho e branco. Na época da criação, apenas o boi contrário promovia programações em Manaus, e assumimos o compromisso de representar o Boi do Povão, criar oportunidades, realizar festas e encontros e manter viva essa paixão longe de Parintins. Mais do que eventos, construímos um espaço de pertencimento. Reunimos gerações, acolhemos torcedores e mostramos que a força da nação vermelha e branca é organizada e protagonista. Ao longo desses anos, também inspiramos outras iniciativas e espaços temáticos. O MAG é união, coragem e amor ao Garantido”, analisou a presidente do MAG, Claudia Santos.

Origem e reorganização
O nome Movimento Amigos do Garantido é uma homenagem ao antigo grupo Amigos do Garantido, pioneiro na tentativa de firmar a marca do boi em Manaus. Após divisões internas que enfraqueceram o primeiro grupo, lideranças e torcedores reorganizaram o projeto em 1996, marcando um novo capítulo na história do Garantido na capital.
Um dos fundadores, Mencius Melo, relembra que as primeiras articulações começaram ainda em 1994, durante a gestão de Jair Mendes. Tentativas de unificação ocorreram, mas não prosperaram. No fim de 1995, já na presidência de José Walmir, uma nova reunião em Parintins, na casa do compositor Emerson Maia, definiu os rumos do movimento.
Com a chancela da diretoria do boi, Melo e Marco Aurélio Medeiros assumiram a missão de estruturar o Garantido em Manaus. Convites foram distribuídos e reuniões realizadas na Associação dos Servidores do Incra, ocasião em que o nome do movimento foi oficialmente escolhido em uma das assembleias iniciais.
O marco do Olímpico

A escolha do Olímpico Clube como palco dos ensaios foi decisiva. O primeiro evento superou expectativas, reuniu milhares de torcedores e garantiu ampla repercussão na imprensa. Em 1996, o MAG realizou 17 eventos, todos com recorde de público.
O sucesso também se refletiu em apoio financeiro ao boi em Parintins. Os recursos arrecadados contribuíram para a compra de galpões na Cidade Garantido, no Curral Lindolfo Monteverde, além da aquisição de equipamentos, fortalecendo a estrutura da associação.
Além do impacto financeiro, o movimento consolidou o Garantido como força cultural em Manaus, ampliando sua visibilidade e mobilização popular.

Reconhecimento e legado

O presidente do Boi Garantido, Fred Góes, enfatizou o legado histórico e a importância do MAG. “Celebramos os 30 anos do Movimento Amigos do Garantido, parabenizando a liderança atual, Claudinha e Ana Holanda, e reconhecendo o trabalho de todos que contribuíram para a história do movimento. Manifestamos nosso apreço pelo trabalho desenvolvido ao longo dessas três décadas pelo Movimento Amigos do Garantido”, declarou.
Em 2016, durante a gestão de Adelson Albuquerque, foi instalada uma placa no Curral Lindolfo Monteverde em reconhecimento à contribuição histórica do MAG para o crescimento estrutural do boi.

Ao completar 30 anos, o MAG reafirma seu papel como guardião da tradição e como ponte entre Parintins e Manaus, mantendo viva a paixão pelo boi vermelho e branco e fortalecendo, ano após ano, a cultura popular amazônica.
Um dos representantes da geração cujos pais são ou foram associados, Matheus Huari integra o MAG, há 18 anos, com dedicação e compromisso, dando continuidade a um legado familiar iniciado por seu pai, José Antônio, também associado.
“Comecei ainda muito jovem, ajudando em pequenas tarefas e, com o passar do tempo, o MAG se tornou parte de quem eu sou. Mesmo quando não estou presente fisicamente, procuro contribuir de diversas maneiras, colaborando para fortalecer a história desta associação que tanto me orgulha. É uma paixão que passou de pai para filho, assim como muitas outras”, disse, orgulhoso.
A trajetória do Movimento também está registrada no livro “Boi-Bumbá Evolução”, do jornalista Allan Rodrigues, associado do MAG, no capítulo “Conquistando corações e mentes”, que destaca a importância da mobilização encarnada na capital.
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