Movimento Amigos do Garantido prestigia a 51ª Tradicional Alvorada do Boi Garantido

Celebração reúne torcedores, itens oficiais e movimentos culturais durante cortejo

O Movimento Amigos do Garantido (MAG) participou da 51ª Tradicional Alvorada do Boi Garantido, realizada entre a noite do dia 30 de abril e a madrugada de 1º de maio, em Parintins (AM). Considerada uma das manifestações mais emblemáticas do calendário bovino, a celebração marcou o início oficial da temporada cultural do boi da Baixa do São José, reunindo milhares de torcedores em um grande cortejo pelas ruas da ilha.

A Alvorada do Boi Garantido é um dos eventos mais simbólicos que antecedem o Festival de Parintins. Muito antes das apresentações no Bumbódromo, a cidade já respira o clima bovino com manifestações populares que reforçam a identidade cultural amazônica.

A festa começa no Curral Lindolfo Monteverde, na Cidade Garantido, e segue em um trajeto de aproximadamente 2,5 quilômetros pelas ruas de Parintins até a Catedral de Nossa Senhora do Carmo. Durante toda a madrugada, torcedores acompanham o cortejo ao som de toadas, fogos, bandeiras e apresentações dos itens oficiais, formando o tradicional “mar vermelho e branco”.
A celebração atravessa a madrugada e termina ao amanhecer, característica que dá origem ao nome “Alvorada”.

O Movimento Amigos do Garantido esteve presente na programação, reforçando o apoio institucional e cultural ao boi do povão e à manutenção das tradições populares que fortalecem o Festival de Parintins.

A presidente do MAG, Cláudia Santos, destacou a importância da participação do movimento em um momento considerado histórico para a nação encarnada.

“A Alvorada representa o coração do Garantido. Estar aqui é celebrar nossa identidade, nossa fé e a força do povo que mantém essa tradição viva geração após geração. O Movimento Amigos do Garantido vem para somar, fortalecer e mostrar que o boi é união, cultura e pertencimento.”, afirmou.

Tradição que nasceu nas ruas

A origem da Alvorada remonta às iniciativas de Lindolfo Monteverde, fundador do Boi Garantido. Em um período marcado pela ausência de meios de comunicação, ele e sua família percorriam as ruas anunciando os ensaios do boi por meio da música e da celebração
popular.

Vestidos nas cores vermelho e branco, brincantes cantavam toadas, entre elas a tradicional “Urrou Meu Novilho”, convidando moradores para participar da festa.

Com o passar das décadas, o evento ganhou novos significados e trajetos, consolidando-se como uma manifestação que une celebração cultural e devoção religiosa.

Desde 1991, a Alvorada passou a encerrar seu percurso na Catedral de Nossa Senhora do Carmo, padroeira de Parintins, fortalecendo o encontro entre o sagrado e o profano, uma marca registrada da cultura amazônica.

Durante o trajeto, o boi visita casas tradicionais da Baixa do São José, em um gesto simbólico de respeito aos antigos moradores e à história do Garantido. A chegada à Catedral é acompanhada por homenagens, pedidos de proteção e momentos de forte emoção coletiva.

Reconhecida em 2018 como Patrimônio Cultural e Imaterial do Estado do Amazonas, a Alvorada mantém seu caráter comunitário mesmo após ganhar proporções grandiosas, atraindo turistas e apaixonados pelo boi-bumbá antes mesmo do Festival de Parintins.

Com a presença de movimentos culturais, torcedores e instituições como o Movimento Amigos do Garantido, a tradição segue fortalecida, mostrando que o espetáculo do boi-bumbá começa muito antes da arena.

Alvorecer renova a promessa

Por volta das 8 horas da manhã, o Boi Garantido chegou à Catedral de Nossa Senhora do Carmo, onde realizou um momento simbólico de reverência e gratidão ao lado dos vaqueiros e torcedores. Diante da padroeira de Parintins, o boi encerrou o cortejo celebrando o início de um novo ciclo cultural e espiritual.

O fim da caminhada representa a continuidade de uma tradição que atravessa gerações há mais de cinco décadas. Acompanhado por uma multidão emocionada, o Garantido renova sua história marcada pela fé, pela promessa e pela paixão coletiva que mantém viva a essência do boi da Baixa do São José.

Texto: Mafê Santana
Fotos: Samy Lima e Mafê Santana
Coordenador de Comunicação: Franco Nascimento

Gostou? Compartilhe